Páginas 09 a 18: Trajetória de Azambuja Calado

Está acabando a folga. Hoje é dois, trabalho quatro. A chuva é fina, mas está próxima de mim. Vou dar um tempo por aqui. Mais tarde quem sabe, faço algo. O telefone toca desesperadamente, não vou atender. Prefiro ficar aqui por trás das grades. Fico vendo todos que passam: velhos, novos, pretos, brancos, abóboras, etc. Enfim uma gama de tipos, senão espécies. O velho fusca continua rodando. Acabo de ver um verde limão. Não me perguntem o ano, não se ler idade dos outros. Meu tio Barão, amansador de burro bravo, sabe ler a idade deles. Abrindo a "fuça" dos bichos, calculando a "arcada" é possível dizer: cinco, quatro, sete, dois anos. “Epa, esse é novo, dá pra ver nos dentes, ainda estão limpos. Não comeu capim ainda como os de cinco”.
Fusca não tem dentes. Também não sei ler burro ou cavalo. Não vou acertar a idade do Fusca nem de ninguém.
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A pedra está fria e minha bunda gelada. O chuvisco continua manso, mas dá pra molhar. O ônibus passa vazio. Não quero ônibus, quero caminhar.
No rádio dizem: chove muito na baixada. Meus amigos devem estar por lá, curtindo o mar e umas biritas.
Não tenho casa na praia nem aqui. A grana tá curta outra vez. Ficar num cinco estrelas não faz mal a ninguém. Com chuveiro pra tirar a areia e depois um banho quentinho. Ela passa shampoo em minhas barbas. Após enxaguar vem com uma toalha quentinha e perfumada. Vamos pra cama tentar amar. Que nada; cansaço, fadiga... não dá. Uma pequena briga, só nos resta dormir. Mais tarde quem sabe, após descansar o ânimo volta. Aí o músculo enrijece e, se ela quiser, é só penetrar. Que nada, deixe a vida correr solta.
Trabalho, sim, sempre falou mais alto. Não dá pra ficar de férias a vida toda, mas, de vez em quando, não faz mal a ninguém. Puxa, ficar naquele vidão de não se preocupar com nada, todos gostariam. Férias mesmo eu gosto é de passar em Xopotó1, na Brejaúba2. Na tranqüilidade absoluta. Quando visito Vaivém3, sempre me vem uma situação na mente.
Certa vez, à noite, passando pelo caminho próximo à casa da Preta Geralda, aconteceu-me algo estranho. Pareceu-me que levei um tapa no rosto do lado direito. Eu caminhava um pouco à frente de minha avó. Quando senti aquele estalo na cara, ela me perguntou: “O que houve?” Não respondi, apenas chorei pelo susto e pela dor que senti naquela hora. O “cagaço” era maior. E se fosse um bicho querendo brincar naquela escuridão?
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1 - Xopotó - Região de Minas Gerais, banhada pelo Rio Xopotó e onde viviam os índios xopotoenses.
2 - Brejaúba - Zona rural de Cipotânea, banhada pelo rio do mesmo nome.
3 - Vaivém - Pequena localidade dentro de Brejaúba.

Corri pra próximo dela. Senti-me protegido. "Não fala nada, vamos embora",ela disse. Eu, mais que ninguém, queria chegar a casa. As pernas tremiam. Mesmo com dificuldades conseguimos chegar a casa, bem próximo dali. Havíamos ido à casa do tio Chico Arantes. Ela não pretendia se estender até anoitecer. A "prosa" estava boa. Nós, pivetes, vivíamos "zoando". Todos os primos, meninos e meninas, naquela folia. Tio Chico costumava dar uma "dura". Pros mais ousados até uma chibatada. Era “jogo duro” o tio Chico. Em compensação, tia Maria interrompia a prosa pra servir café com biscoitos de polvilho, que ela mesma havia feito. O forno grande ficava na cobertura, na porta da cozinha, construído com pedaços de casa de cupim4 e barro. Não havia cimento, só pedras que eram trabalhadas para fazer a base de sustentação do forno. Os cupins eu acho que eram dos brancos. Constroem lá na roça ou no pasto uma espécie de "obra". As construções quase não variam em seus formatos. Em geral elas são redondas, com algumas variações em seu diâmetro e altura. Dali são retirados vários pedaços que são montados no formato arredondado do forno. As placas5 do cupim são furadas na parte interna. A parte de fora do forno é toda "barreada"6 para manter o calor e a temperatura adequados.
Bom, eu gostaria de saber falar bem mais: de pedra, paus, cupins, rios, bichos, parentes, e ...Reportar-me, sempre que minha mente pedir, a longínqua Brejaúba. Fiquei mais de vinte anos sem ver e sem falar com pessoas e parentes que ainda moram por lá.
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4 - Cupim - Inseto que construi sua casa de barro.
5 - Placas - Pedaços das casas do referido inseto.
6 - Barreada - Revestida de barro.
Um dia desses comprei passagem para Cipotânea. Durante a viagem minhas pernas pareciam fracas. Havia uma adrenalina bem alta em ação. Eu não tinha a menor idéia do que iria encontrar lá. No ônibus, eu estava ansioso, mexendo-me muito, impaciente mesmo. No início da descida da Serra do Desterro7, aos poucos me fui descontraindo. Puxei conversa com meu companheiro de viagem, que estava na cadeira ao lado do corredor. Fui logo indagando:
- Moço: sabe me dizer se tem pensão ou hotel na cidade?
- Tem o hotel do Chico Dias ali na Rua do Caminho, respondeu-me o jovem. - O Sr. não tem nenhum parente em Xopotó? - perguntou-me o rapaz.
- Acho que tenho, mas faz mais de vinte anos que não venho para cá. Tenho receio de não encontrar ninguém.
- De qual família o Sr é? - indagou-me o atencioso passageiro.
- Bem, tinha o Marin, irmão do Barão, que é meu tio. Você deve conhece-los, não? - perguntei.
- Ah, sim, eles são ali da Barra. Mas o Sr. pode ficar tranqüilo que vou levar o Sr. no bar do seu primo Vicente.
- Olha moço, falei pra ele, - fico muito agradecido pela sua atenção.
- Pode ficar sossegado que o Sr. está em casa. Tem muita gente lá pra receber o Sr. Não precisa de hotel nem de pensão.
- Poxa, vai lá pra casa se precisar, me falou o rapaz.
- Aproveito e tomo umas com você, eu lhe disse.
- Faz muito que o Sr. não vem a Xopotó?
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7- Desterro - Serra que circunda a cidade de Desterro do Melo.
- Perdi a conta. Não sei se vinte e dois ou vinte e três anos ausente. Nesse período, sem nenhum contato com os parentes. Sei apenas que meus avós, os quatro, e mais alguns tios já partiram. O tio Marin caiu no rio, contou meu pai, Pereira, irmão dele. O corpo foi achado três dias depois lá pra baixo do Xopotó: Caiu da pinguela8 , voltando pra casa, e sem beber nada naquele dia. Alguém passando pela estrada paralela ao rio, viu o corpo boiando a uns três quilômetros de onde ele havia caído. O cidadão, quando viu aquilo, correu com cipós e amarrou meu tio numa árvore. Feito isto, ele foi pra cidade avisar a todos. Interromperam as buscas que haviam iniciado tão logo Marin sumiu nas águas do Brejaúba. Meu primo Dimas estava com Marin naquela noite. Quando percebeu a falta do tio, àquelas horas da noite, Dimas mesmo transtornado, correu para avisar o Barão, o Cimim, o Zé Geraldo, o Carlos, o Zezinho do Nilo e outros tantos que moravam nas redondezas. Saíram todos com tochas e lampiões pras margens do rio. Noite em vão e triste. No dia seguinte apareceu considerável reforço vindo de Barbacena. Pessoal com treinamento do Corpo de Bombeiros e da E.P.C.AR9.
Trabalharam nas buscas sem nenhum resultado. Ao fim de três dias o corpo boiou. Ai acabou a agonia das buscas. A perícia constatou morte por afogamento. No corpo de Marin havia apenas alguns arranhões! Nada quebrado! Incrível, rolar por toda aquela distância por três noites e três dias, submerso no Brejaúba e em seguida pelo Xopotó! Não quebrar nada do corpo, em vista da corredeira, nos baixos da ponte de ferro, uma pequena cachoeira, com paus e pedras em seu caminho!
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8 -Pinguela - Tronco que serve de travessia sobre um rio.
9- E.P.C.AR - Escola Preparatória de Cadetes do Ar.

Marin era uma pessoa muito carismática. Por onde passou deixou saudades e grandes amizades. Ele sofria de incontinência urinária (urina solta). Vivia usando “calçolão” de plástico para evitar maiores constrangimentos. Trabalhava quase sempre na lavoura. Vez ou outra se aventurava a revender artesanato: bolsas de palha10, que os próprios parentes produziam. Às vezes saía pelos sítios comprando frutas para revender na feira em Barbacena. Em Xopotó não havia feira e não há até hoje. As bolsas ele levava para Lafaiete, Barbacena, Juiz de Fora, São João e outras cidades da redondeza. Algumas vezes acompanhei meu tio pelas andanças de vendedor. Vendíamos todas as bolsas e voltávamos com algum dinheiro. Falar de Brejaúba, saudades, muitas saudades! Quando ando, não escrevo. Sentado nesta pedra fria não consigo me concentrar. A julgar pelo barulho do outro lado da rua deve ser samba ou pagode, sei lá. Quando cheguei a Sampa passei maus bocados, sem ter ninguém, à procura de emprego. Época dura: ditadura, repressão, preconceito, etc. Na Brejaúba, no Vaivém, ainda pequenos, usávamos camisola11, os meus primos e eu, morando em local quase ermo. Visitando mais que visitado. De camisola ou não. Não faz diferença, a roupa era apenas para cobrir o sexo ou não pegar resfriado. Pra evitar verme, piolho, bicho-de-pé12 , picada de cobra, camisola não servia. Pisando em bosta de bois, descalço, montando bezerros em folia, na casa de Chico Arantes, irmão de minha avó. Todos nós corríamos

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10 - Bolsa de Palha- Artesanato de palha de milho, muito popular, e que vem de várias gerações em Cipotânea.

11 - Camisola - Aqui Camisola não era apenas para dormir. Meninos e meninas usavam-nas o tempo todo. Esse tipo de roupa era confeccionado com sacos de farinha.

12 - Bicho-de-pé - Inseto cuja fêmea, fecundada, penetra na pele do porco e do homem.

quando tio Chico aparecia. Se ele nos pegasse no flagra, certamente receberíamos castigo. Eta gênio difícil esse do tio Chico! Montar em bezerros, porcos ou subir em bambus gigantes, era motivo de bronca severa. De pescar lambari, ele não se incomodava, nadar não podia. O Brejaúba desce todo curvado, bem próximo do chiqueiro13. Em época de cheia, naquela época, transbordava em ambas as margens. Preciso parar um pouco. Hoje tem jogo de dois santos: o da espada14 e o de cabeça15 rapada. Também, é só ligar o rádio e continuar as minhas anotações. Quase ermo Vaivém: Inácia, Chico Afonso, Ieié16 e eu. Chico Afonso, casado com Inácia, pais de Biía17 , minha mãe, Ieié e Pedro Afonso, meus tios. Os primos de camisola, filhos de Pedro, e os menores, de Chico Arantes. Eu, descalço, pé chato, cheio de bicho-de-pé, só usava calçado para ir à missa das dez aos domingos. Levava a botina no bornal18 até próximo a Xopotó. Antes de chegar na cidade calçava aquele couro duro e apertado. Antes dos dez anos tinha calos doídos nos mínimos dos pés. Acabando a reza, saía em busca de um pedaço de pão. Era hora de gastar a moeda ganha de alguém dos Barretos. Certamente quem me deu aquele dinheiro foi a Fia19, que mais tarde casaria com Ieié e então se tornaria minha tia. Eu acabava de comer o pão, voltava na venda querendo meu dinheiro de volta. Era um sufoco pra minha avó contornar a situação. A Fia que, mesmo antes de se casar com Ieié, cortava meu cabelo e me ensinava a escrever. Depois que Ieié construiu a casa, lá pra baixo do pé

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13 - Chiqueiro - Curral de porcos. 14 - O da Espada- O time de Corinthians, que tem São Jorge e sua espada como protetores. 15 - O da cabeça rapada- O São Paulo F.C. que tem o santo do mesmo nome. 16 - Ieié - Apelido de José Afonso. 17 - Biía - Apelido de Maria Francisca dos Reis. 18 - Bornal- Saco de pano, usado a tira-colo para carregar pertences em geral. 19 - Fia- Apelido de Maria dos Barretos.

de goiaba, ele casou-se com Fia. Até os meus onze anos, chamei Ieié de pai e minha vó de mãe. Aí não usava mais camisola. Quase sempre saía com ele para pescar. Descíamos a margem direita do Brejaúba, parando em poços escolhidos, ou aventurando travessia em local de raseira20. Com a água próxima do joelho de Ieié, eu ia pendurado em seu pescoço levando o bornal com alguns lambaris. Na margem esquerda íamos em direção a Rio Rombado. Rio Rombado se formou a partir de duas crateras que havia num local onde fabricavam telhas e tijolos. Com uma enchente muito grande as águas do Rio Brejaúba invadiram o local, formando duas lagoas. Com o passar dos tempos as lagoas eram boas para a pesca de traíra e piaba. Depois de passar pelas lagoas, atravessava de novo o rio. Desta vez na cabeça da Cachoeira do Piranguinha. Água rasa até o tornozelo. Pedra lodosa e escorregadia igual a sabão. Não podia escorregar e cair. Seria fatal qualquer queda ali naquele local. A grande pedra mais parecia um tobogã de água e pequenas pedras pontiagudas. Também, se caíssemos, não levaríamos mistura pra janta e pro almoço do dia seguinte. Subindo a outra margem do velho Brejaúba íamos parando em alguns pontos piscosos21. A eficiência de Ieié sempre trazia piaba, traíra e lambaris. Chegando a casa, a comida estava quase pronta, mas dava tempo de limpar uns peixes, passar no fubá e fritar. Não me pergunte que horas eram, não sei ler o sol. Chico Afonso diria: quatro horas e meia da tarde.

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20 - Raseira- Trecho do Rio Brejaúba onde há pouca água, é fácil atravessar caminhando.

21 - Piscoso - Abundante em peixes.

Almoço às dez, janta às cinco da tarde. Às treze horas, café com biscoito. Biscoitos de polvilho, que vinham da casa do Chico Arantes ou dos Barretos. Na casa do tio Zé Arantes, irmão do Chico, comíamos biscoitos, broa de fubá, um bom pedaço de queijo Minas feito lá mesmo e café com leite. Lá também se comia suculento almoço, regado a angu22, feijão preto, arroz, carne de porco e couve "rasgada". Esse ainda é o prato preferido naqueles rincões: Vaivém, Jabuticaba, Brinco, Paciência...e outros que me fogem no momento. Em Jabuticaba e Vaivém, as raízes dos Arantes ainda permanecem sólidas. Nos lugares por onde eu ia, camisola e bicho-de-pé eram normais. Sem contar os piolhos que habitavam minha cabeça, quando ainda chupava o dedo polegar da mão direita. Tia Fia cuidava de tudo: tirava bicho-de-pé, cortava meu cabelo e matava piolho. Para eu parar de chupar dedo, os Barretos viviam me presenteando; espelho de bolso, pente e moedas. Tia Fia, que era Barretos, além de me ensinar a ler e escrever, fazia as minhas roupas pós-camisola. Na casa de minha avó, goiaba e bananas eram as frutas mais constantes. Em determinada época do ano havia também melancia. A goiabeira produzia enorme quantidade. Tão grande que era o pé, aventurávamos-nos em seus galhos, a apanhar com as mãos as mais graúdas. Isso era antes dos passarinhos bicarem as quase maduras. Não nos preocupava se havia bichos. Estávamos sempre em disputa quanto a quem pegava as mais bonitas e saborosas goiabas. O canavial acima da estrada reservava surpresas. Lá brincávamos, escondendo-nos uns dos outros.

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22- Angu - Papa espessa de fubá cozido.

 

Aprontamos certa vez: nosso tio Ieié havia-se ausentado e então levamos facão  e canivete pro canavial. Havíamos descoberto uma moita de cana especial (caiana)   doce e macia, bem no meio da plantação. Cada um de nós cortou uma cana nova e pequena. O tio Ieié percebeu, ao retornar a Vaivém, que havíamos cortado da sua cana predileta. Também pudera, deixamos pistas pra todo os lados.  Ele pregou um susto em nós na próxima ida ao canavial. Surpresa geral, ao nos aproximarmos, em bando, do  canavial, lá estava ele. acoitado23 com sua capa de chuva e agachado do outro lado da moita.  Quando aquele vulto veio pra cima, corremos todos com tamanho susto.  Depois, bem longe daquele vulto, descobrimos ser Ieié o autor da façanha. Ficamos preocupados: agora ele vai nos bater. Que nada, Ieié não faria isso.  Deu-nos uma bronca e no dia seguinte levou-nos ao canavial. Lá ele cortou das canas maduras, no ponto. Não me lembro de ele ter dado uma bronca igual.
Minha avó era mais enérgica. Com aquele cachimbo de barro e cabo de bambu no canto da boca ela sempre dava bronca.  Os cabos do cachimbo eu mesmo preparava para ela,  o cachimbo ela comprava quando ia a Xopotó. Mesmo que ele durasse bastante, ela tinha um ou dois de reserva. Prevenida sim, de barro quebra. Seinácia, como era chamada, não gostava de desobediência. Fazia-me pedir benção aos mais velhos.  Sempre  que chegava  alguém  a casa, lá  vinha  ela: "Bedi 24  bença menino".  -A bença meu tio.  "Deus te abençoe", era resposta comum, sempre que eu estendia a mão para a pessoa que ela indicava. Às vezes eu ficava
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23 - Acoitado - Escondido para armar uma cilada.
24 - Bedi - Minha avó tinha dificuldade para falar a palavra pede.